Silo das Artes – Um espaço criativo que surgiu do fogo

//  Silo das Artes – Um espaço criativo que surgiu do fogo

  Silo das Artes – Um espaço criativo que surgiu do fogo

Por Fernanda Dorta p/ Margem Arquitetura

Após oito meses do incêndio na casa da família da filósofa e professora Samantha Buglione, no bairro Ratones, em Florianópolis, eis que nasceu um espaço para expressão da arte criativa. “Esse fogo abriu espaço. E do espaço nasceu o SILO DAS ARTES”, conta a Samantha.

parte de um poema que sobreviveu ao fogo

Logo após o ocorrido familiares e amigos organizaram dois mutirões voluntários para limpar os escombros. Segundo Samantha a limpeza foi feita por várias mãos, com amigos que deram todo apoio. “Avaliamos o que poderia ser aproveitado para diminuir os custos do que estaria por vir. Com todo esse apoio fizemos um esforço conjunto de um pouco mais de um dia de trabalho permitindo finalizar uma etapa e dar espaço para o novo”, ressalta.

Através da demanda de amigos artistas, sua família  resolveu construir em seu terreno um espaço para atividades artísticas através de aulas de circo e demais expressões como teatro e dança. A principal demanda desse movimento, seria então, construir com pé direito alto.

Por uma arquitetura do cuidado

A família da professora  teve diferentes reflexões sobre o que sobrou do incêndio: “Eu e meu marido percebemos que os objetos de cerâmica não foram destruídos como as xícaras, nosso petangua, isso nos chamou bastante atenção e fomos pesquisar casas de adobe e demais construções com Terra como forma de garantir segurança para nossa família.” O projeto arquitetônico do Silo das Artes foi pensado a partir de parte da estrutura da fundação já existente no espaço.

A fachada principal do conjunto se insere à paisagem através de terraços ajardinados que cobrem a edificação

De acordo com a arquiteta Cecília Prompt (Margem Arquitetura), o projeto prevê estrutura em concreto e parte das paredes com técnicas utilizando terra, como taipa de  mão, painéis de serragem com solocimento, além dos telhados verdes como técnica de construção com terra. O projeto também prevê paredes de alvenaria.

“Aos poucos, após muita reflexão, a família amadureceu a ideia e decidimos aproveitar ao máximo possível o existente. Para verificar as condições da edificação que permaneceu optei por chamar um engenheiro que apontou ser possível utilizar tudo em concreto, pois, devido a duração do incêndio, ferragens não foram danificadas”, afirma a arquiteta.

A Arte no seu sentido Original

Através do fogo, de uma parceria e da criatividade foi possível transformar esta história em Arte.

“O espaço tem o propósito de permitir a criação e o cuidado. Falamos da arte num sentido bem radical dela, a arte criativa, arte do cuidado, arte como expressão humana”, afirma Samantha entusiasmada com seu novo projeto.  “Silos é um lugar onde a gente guarda semente, onde a gente guarda depois da colheita ou antes da plantação. Então é um espaço de silêncio e criação para pensar e criar.”

A casa de Samantha e sua família funciona no andar debaixo do salão principal onde será o Silo das Artes. O projeto também está sendo todo preparado para cadeirantes e idosos porque os anfitriões desejam que o espaço permita a arte do cuidado.

Além das formas irregulares, o projeto é marcado pelo uso de diversos materiais naturais como telhados verdes, paredes de terra, madeira e pedra.

 “Se o espírito é construir um espaço para todos (as) ele deve nascer com essa força!”

O Projeto Arquitetônico  

  

Varanda e portões de correr conectam interior com exterior

O terreno da família da Samantha fica no final de uma rua em Ratones. É um terreno em declive com face leste, com vistas para o morro. Passa um rio pelo meio do terreno. De acordo com os estudos da arquiteta Cecília Prompt, foi preservada a forma da edificação original, estendendo dois quartos para frente, que fizeram um giro para captar ao máximo o sol da manhã de inverno.

Como a necessidade da família é de três dormitórios, definiu-se que um deles comporia um meio nível entre térreo e subsolo, de modo a ter condições de captar insolação de inverno.  Os ambientes, todos acessíveis de acordo com a NBR 9050, foram sendo compostos com quebras de ângulo e preocupações com a privacidade dos moradores e fluxo energético.

Para o nível térreo, o programa de necessidades era de um grande salão com pé direito de 6 metros de altura onde pudesse se desenvolver a arte circense, além de outras atividades. O programa comportou também alojamento, depósito, vestuários e sanitários e dois mezaninos.

Corte transversal do Silo das Artes

“Durante a concepção do projeto, pensamos primeiramente em um formato hexagonal, que propiciasse união, encontro e sensações de criatividade e liberdade. Além do mais a vista e conexão com a natureza deveriam ser prioridade. Devido ao formato do terreno, entretanto, percebemos que o hexágono puro não seria a forma mais propícia; fez-se então uma quebra desta forma, girando as faces e quebrando a forma do hexágono, e cada uma das partes abriga parte do programa de necessidades – sendo uma delas varanda, que permite ampla conexão do interior com o exterior, utilizando como esquadrias grandes portões de correr.”

A estrutura servirá de suporte às atividades circenses

Na atual fase do projeto estão sendo desenvolvidos a sistema hidrossanitário de autoria da Margem Arquitetura e demais projetos terceirizados. O projeto arquitetônico contou com a colaboração da estagiária Tássia Sant’Anna.

Fonte: Trecho da descrição do projeto arquitetônico de Cecília Prompt ao Silo das Artes.

 

By | 2017-08-10T22:38:40+00:00 agosto 10th, 2017|Construções com Terra|0 Comentários